Ilha do Pico licoroso 10 anos, à altura do Património Mundial



A História do vinho no Pico terá começado no século XV, praticamente desde o início do seu povoamento, e a verdade é que moldou a paisagem e a economia da ilha até aos nossos dias, ao ponto de em 2004 a UNESCO ter declarado as vinhas do Pico como Património Mundial. A culpa será, imagine-se de frei Pedro Gigante, o primeiro pároco que se instalou no Pico e que foi confrontado com a necessidade de ter vinho para oficiar devidamente as suas celebrações, o que levou à plantação das primeiras vinhas num local hoje designado por Silveira.

O vinho do Pico é mesmo uma história de triunfo da vontade humana perante as circunstâncias, à força de muita determinação e muito trabalho, capaz de romper o manto de lava que marcava a paisagem picota. O mesmo manto que, batido pelo sol, cria as melhores condições para o amadurecimento das uvas, produzindo um fruto de grande qualidade, potenciando um belo vinho. Hoje, além da lava que marca a paisagem do Pico, esta é também moldada pelos muros de pedra solta, que criaram um rendilhado único, e que serviam e servem pra proteger as vinhas dos ventos que vêm do mar, no seu espaço interior, os currais.

Se as vinhas do Pico têm hoje o reconhecimento como Património Mundial, os seus vinhos – cuja qualidade se tornou conhecida em muitos pontos do mundo, desde tempos idos -, os seus vinhos vão merecendo ser melhor conhecidos em Portugal. Na sua dupla vertente: os licorosos e os outros, ambos produzidos com castas originais da ilha, o Verdelho, Arinto dos Açores e Terrantez do Pico. Nos últimos anos, a produção do vinho na ilha conheceu um forte impulso, até com a chegada de conhecidos enólogos portugueses ao terroir picoto. Hoje, a área da vinha já atinge quase os mil hectares mais do dobro da vinha da ilha da Madeira, como assinala João Paulo Martins, um dos mais respeitados especialistas portugueses em matéria vinícola).

E é, exatamente, um licoroso que é o motivo destas linhas de entrada no espantoso mundo do vinho do Pico. Uma garrafa que ficará bem em qualquer mesa de Natal, tornando-se num vinho perfeito para a acompanhar, por exemplo, uma bela tábua de queijos ou uma tapas de conserva de atum, por exemplo. Falamos do maravilhoso Ilha do Pico 10 anos (estará a caminho um 20 anos…), um licoroso meio doce produzido, a partir da casta Verdelho, pela Cooperativa Vitivinícola.

É um belíssimo e altamente recomendável vinho, que merece bem ser conhecido, ao nível dos melhores licorosos que conhecemos, com um efeito na boca capaz de encantar o mais exigente palato. A demonstração que o quadro de honra dos grandes vinhos licorosos portugueses não se esgota no Porto e na Madeira. Um conselho (talvez dois…): provai e desfrutai.


PS- E, não sendo muito fácil de encontrar, pode ser adquirido, como todos os outros vinhos ali produzidos, diretamente no site da Cooperativa (https://www.picowines.com).


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